Cinemateca Brasileira

Foto: Didão Barros/Wikipedia

Em janeiro de 2019, Jair Bolsonaro assume a presidência do país e extingue o Ministério da Cultura, transformado em secretaria especial.

Em setembro, são feitas denúncias de loteamento político da Cinemateca Brasileira e seu uso para promover a ideologia de extrema direita do governo, com um projeto, por exemplo, de realização de uma mostra de filmes militares. 

No mesmo período, os funcionários públicos remanescentes que compunham o quadro da instituição foram remanejados para outros organismos federais, afastando trabalhadores de ampla experiência na área. A ausência de funcionários com estabilidade em seus contratos de trabalho fragilizou ainda mais a estrutura de manutenção da instituição, agora operada somente por profissionais com contratos temporários.

Em dezembro de 2019, o contrato com a ACERP que incluía a gestão da Cinemateca Brasileira, entre outras unidades, é encerrado unilateralmente pelo governo. A ACERP busca estabelecer um contrato emergencial. A proposta do governo é realizar uma nova chamada pública para um novo contrato de gestão até fevereiro de 2020, mas nada é feito.

Em 17 de janeiro de 2020, o então secretário especial de cultura Roberto Alvim é exonerado após protestos por um pronunciamento na televisão, em rede nacional, de clara conotação nazista feito no dia anterior. 

Em fins de janeiro, a ABPA redige uma carta pública em defesa da Cinemateca Brasileira (cujo contrato de gestão ainda não tinha sido renovado) e da Cinemateca Capitólio (em Porto Alegre, ameaçada de privatização), que circula internacionalmente.

Em fevereiro de 2020, um dos galpões da Cinemateca Brasileira é inundado após fortes chuvas. Mais de 100 mil DVDs de filmes brasileiros são destruídos pela água. Há relatos de perda também de películas e equipamentos, mas um relatório oficial sobre o incidente ainda não foi divulgado.

Somente em 4 de março de 2020, a atriz Regina Duarte, apoiadora de Bolsonaro e sem nenhuma experiência prévia como gestora pública, toma posse como nova secretária especial de cultura. 

Em maio, a ACERP declara não ter recebido recursos do governo desde o fim do contrato, em dezembro. Reportagens na imprensa informam que a conta de luz da Cinemateca Brasileira não vem sendo paga e há ameaça de corte de eletricidade. Funcionários relatam estar com salários atrasados.

Em 15 de maio, profissionais ligados a gestões anteriores da Cinemateca Brasileira divulgam uma carta aberta em defesa da instituição. A Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA) envia ofício ao governo cobrando explicações.

Em 20 de maio de 2020, Regina Duarte é exonerada da secretaria especial de cultura. Em vídeo ao lado do presidente, ela diz que irá assumir a direção da Cinemateca Brasileira, para ficar mais próxima da família, em São Paulo. Entretanto, reportagens na imprensa questionam a declaração, uma vez que o governo não tem ingerência sobre a direção de uma instituição cuja administração foi entregue a uma entidade privada.

Em 29 de maio, reportagem relata reunião entre a ACERP e o governo federal que termina em impasse. A ACERP cobra uma dívida de 11 milhões de reais (2 milhões de dólares) com o governo por despesas de 2019. Segundo a imprensa, a ACERP já teria gasto 4 milhões com  a Cinemateca em 2020, igualmente não pagos. Segundo a reportagem, o governo deseja rescindir o contrato e ameaça fechar a Cinemateca Brasileira.

Após protestos, o governo emite nota em que nega o fechamento da instituição e fala em “reincorporar” a Cinemateca à União, embora ela não tivesse deixado de estar ligada ao governo federal. Em sua nota, porém, o governo não deu nenhuma explicação sobre o que pretende fazer formalmente em relação à forma de gerenciamento que pretende instalar na Cinemateca Brasileira e nem abordou a questão das dívidas da instituição, incluindo o atraso nos salários. 

Segundo a imprensa, o governo desistiu de nomear Regina Duarte para a Cinemateca Brasileira, mas persistem rumores da intenção do governo de fechar o arquivo de filmes.

Sem receber salários desde abril, em 4 de junho os funcionários da Cinemateca Brasileira, contratados pela ACERP, criam uma campanha online de arrecadação para acudir os trabalhadores da instituição em situação de emergência.

Recursos:

Plano Nacional de Preservação Audiovisual

Sobre a crise atual da Cinemateca Brasileira

 

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